Postagens populares

sexta-feira, 3 de junho de 2011

37

"Lá estava ele, parado no meio da rua com a barriga nua e com os braços cruzados, seus cabelos pretos se mexiam de acordo com o vento, mas não era aquele vento fresco não... era aquele vento quente, sufocante... horrivel.
Seus olhos, estavam fixados em mim e percebi que havia um brilho neles... um brilho bem estranho por sinal, pois eu nunca vira Guilherme daquele jeito. NUNCA.
Ta, só nos conhecimos menos de uma semana, mais parecia que eu conhecia a vida toda, estremeci um pouco, aquilo parecia mais um filme de terror. Seus traços marcavam raiva, odio, sede de vingança... algo tão assustador que me fez pensar se eu iria nele ou não, algo tão amedrontador que por um momento tive medo de Guilherme.
Dei o primeiro passo, nada aconteceu.
Dei o segundo... terceiro, quarto... nada aconteceu de novo, voltei a olhar para Guilherme que agora virava um pouco sua cabeça para o lado, seus olhos cada vez mais perversos, demoniacos. 
Eu não podia, eu não devia... sabia que se eu me aproximasse mais dele algo iria acontecer, algo de ruim... algo que podia por minha vida em risco. 
Minha visão então começou a ficar embassada, pisquei, esfreguei minhas mãos nos olhos mais nada adiantou, a escuridão avançava de acordo que Guilherme andava em minha direção,meu coração vacilou quando seu rosto ficou cada vez mais claro... mais visivel, mais bonito, mas proximo do meu,mas não sabia se isso era bom ou ruim.
Ele parou.
Então foi a vez das sombras, elas começaram a se agitar feito loucas. O que me deu mais medo, pois elas começaram a fazer um circulo em volta de mim e avançarem lentamente. 
O que me irritou e me assustou mais ainda foi que Guilherme continuara parado no mesmo lugar, me observando e as sombras que estavam quase me engolindo. Tentei correr mais não consegui, meu corpo estava paralisado... tentei gritar, mas minha boca parecia que estava colada... a unica coisa que eu conseguia fazer era respirar e ficar olhando.
Meu coração estava cada vez mais fraco, ficava mais inutil.
Guilherme andou um pouco mais na minha direção, seu rosto completamente indecifravel, irreconhecivel, seus olhos cada vez mais negros, mais assustadores, mais malignos... 
Um rosnado então saiu da boca de Guilherme, como se ele fosse algum tipo de animal.. sei lá, foi tão que as sombras agarrarram minhas pernas e subiram por elas como uma cobra, cobriam cada parte do meu corpo, meus olhos ficavam cada vez mais arregalados, tentei novamente pedir socorro mas minha boca nao me obedecia... e por fim as sombras cobriram meu corpo todo.
Mas antes de tudo acabar, eu ouvi uma ultima coisa.. uma voz estranha se dirigindo a Guilherme.
- Muito bem... - falou uma voz masculina - Seu pai ficará orgulhoso... Filho das trevas."

  Levantei do colo de Guilherme, suando tanto que parecia uma cachoeira. 
Suas mãos pousaram no intervalo entre meus peitos e me ajudou a deitar novamente, eu estava tão assustada com aquele sonho.. o que seria aquilo? 
Eu não tava com medo totalmente do sonho, mas sim da parte que alguns desses sonhos que eu tenho são realidades, mas como esse poderia ser real se eu ainda estava ali? dentro de casa, mexendo meu corpo como eu bem entendo?
Voltei a olhar para Guilherme, e logo percebi a preocupação em seus olhos... nada de odio, nem raiva. 
Suspirei aliviada.
- Tudo bem? - ele perguntou tirando um fio de cabelo do meu rosto e pondo-o para trás, meus olhos estavam fixos na sala. - Está pálida.
- Foi só um sonho... - respondi dando de ombros - só um sonho... eu estou bem. 
Parecia que eu estava convencendo mais a mim mesma do que a ele, virei-me para olhar Ster que estava jogada no sofá com os braços atras da sua cabeça como apoio.
- Como foi? - ele perguntou meio interessado - Quem estava nele?
Engoli em seco, será que eu deveria falar para ele que era ele que tava lá? 
- Você e eu. - respondi hesitante, esperando alguma alteração no seu rosto... mas nada, só a curiosidade. 
- Foi tão ruim? - ele perguntou levantando uma de suas sobrancelhas negras.
- Não me leva a mau Gui. - falei chamando-o pelo o apelido - Mas foi terrivel... péssimo... 
Mordisquei o canto de meus lábios esperando o choque em seus olhos, mas não foi isso que aconteceu... ele ainda estava calmo e severo. 
- O que aconteceu nele? - ele perguntou novamente, eu queria responder...desabafar sobre tudo que havia acontecido, mas o melhor era esquecer daquilo. Me levantei e fiquei de pé. 
- Vamos dar uma volta? - perguntei tentando sorrir, Guilherme levantou-se ajeitou sua roupa e tirou sua camisa, fui ate Ster e a acordei.


domingo, 29 de maio de 2011

36

11:00 - Domingo - Casa

Estavamos eu, Ster e Guilherme na sala, em cima do cochonete cpnversando sobre a escola quando a campainha tocou. 
Primeiramente eu estranhei, pois Lucinda não trabalhava hoje e minha mãe tinha saído para trabalhar (no domingo, mas ela não trabalhava segunda nem terça), me levantei do cochonete arrumei minha roupa e fui em direção a porta, destranquei a mesma e a abri. 
Meu coração doeu me fazendo encolher e antes que eu pudesse fechar a porta por completo a mão de Derick impediu, e empurrou-a me fazendo ir pra trás. 
- Vai embora. - falei grossamente, tentei empurra-lo com minhas proprias mãos, mas ele era mais forte que eu. - Saí daqui Derick!
Ouvi Guilherme e Ster se levantarem e virem na minha direção, minhas pernas e mãos tremiam. 
- Não ate que você me escute! - ele falou fixando seus olhos azuis nos meus, franzi o nariz e senti uma rapida puxada para trás, foi Guilherme que agora ficava em minha frente como se estivesse me protegendo de algum bandido. 
- Vá embora moleque! - ele falou, o tom de voz dele saiu ameaçadoramente assustadora. - Ta vendo que tu não é bem vindo aqui?!
- Não vim ate aqui discutir com um merda que pensa que é gente. - foi tão rápido que nem percebi,Derick tinha posto a mão no braço de Guilherme e tentara empurra-lo mas Guilherme foi rapido demais, ele pegou a mão de Derick e empurrou-o para fora de casa tão brutamente que Derick perdeu o equilibriu e caiu. 
Meus olhos se arregalaram e Ster me puxou para sala, mas eu não queria, eu queria impedir que Guilherme e Derick brigassem, e ainda mais por minha causa. 
Dei um passo a frente e peguei a camisa de Guilherme que me olhou. 
- Não brigue, é perda de tempo. - implorei, mas havia algo mais nos olhos de Guilherme, algo tão perverso que nem eu tinha palavras para dizer o que era aquilo, tão perverso que por um momento fiquei com medo dele. - Guilherme?! 
Ele voltou a olhar para Derick que agora se levantava e o fitava desafiadoramente, passei por Guilherme e fui na direção de Derick mas a mão de Guilherme me fizera parar.
- Eu preciso acabar com isso logo. - falei olhando para seus olhos que ficavam cada vez mais negros que a propria noite - Por favor.
Passou alguns minutos e Guilherme me soltara, tentei sorrir confiante para ele mas nao consegui, voltei a andar na direção de Derick e parei metros afastada dele. 
- O que voce quer? - perguntei cruzando os braços
- Quero esclarecer as coisas. - ele falou se aproximando de mim, escutei o rosnado de Guilherme um pouco atras de mim.
- Mais do que estao esclarecidas? - perguntei mordendo meus lábios - Derick já deixei bem claro para você que não me procurasse mais, que me esquecesse. 
Ele balançou a cabeça mas eu sabia que ele queria ir mais a fundo naquele assunto, e eu sabia mais ainda que eu não ia aguentar e ia desabar em lagrimas.
- Não estão... - ele falou segurando em meu braço, por um segundo quase me rendi ao charme de Derick mas me segurei, seus cachos estavam menores e seus olhos azuis estavam mais azuis que antes - Entenda Diana, eu não gosto da Lucky... só estou dando apoio a ela por causa da morte de seus pais.
- Ah fala serio Derick... - falei me afastando dele - Me conta outra que essa não pega mais ok?! Se acha que continuo acreditando nessas suas palavras de "galã" de novela, tu ta muito enganado.
Ele bufou e continuou tentando. 
- Se você ficasse no meu lugar por um momento voce nao estaria agindo como uma criança como agora. - ele falou sério, senti meu coração se apertar quando ele se referiu a mim como 'criança', segurei minhas lagrimas. 
- Presta atenção seu babaca. - falei tentando manter meu tom de voz firme -Se estou agindo como criança em relação a você, desculpe.... só estou tentando me proteger de gente retaradada e canalha como você.
Seus olhos se arregalaram e os risos de Guilherme quebraram o silencio entre nois dois, Derick apenas balançou a cabeça e enrugou a testa. Eu precisava chorar, eu queria, mas não na frente dele... queria que aquilo acabasse logo e ele saisse logo da minha vida, eu estava sendo forte demais por muito tempo.
- Se isso que você quer... - ele falou cruzando os braços que definiam seus musculos - que seja. 
Então deu as costas e foi embora, não sabe o alivio que fiquei... mas mesmo assim o estrago já estava feito, ele conseguira quebrar o meu coração por completo.
Cai de joelhos na calçada e as lagrimas caiam de meus olhos e passavam pelo meu rosto, senti as mãos de Guilherme em meus ombros quentes e macios. Me levantei e o abraçei tão forte que a unica coisa que pensei é em como ele podia ser tão apaixonante?
Cheguei em seu ouvido e falei:
- I'm living in a world that's all about you and me, ain't gotta be afraid, my broken heart is free to spread my wings and fly away, away with you... - senti que ele sorria e suas mãos acariciavam a minha nuca, pela primeira vez sabia que nao iria me enganar com ele. Não com ele.

 




35


10:02 - Domingo - Casa

 Depois de algumas horas de sono eu acordei um pouco mais disposta que no dia anterior, depois daquele acontecimento todo e tals. 
Levantei do cochonete e fui em direção a cozinha, mas antes dei uma olhada para trás tendo a visão angelical de Guilherme dormindo no mesmo cochonete que eu dormira, eu sorri e senti minhas bochechas corarem não sei porque.
Entrei na cozinha e dei uma olhada no estado dela, suspirei e começei a preparar o café da manhã, pus a mesa e dei uma ida rapida na padaria, peguei os pães quentinhos e voltei para casa. 
Ninguem acordado ainda, eu ri.
Pus os pães na mesa e silenciosamente voltei para sala, cutuquei o braço de Ster para que acordasse mas ela apenas gemeu e se virou, olhei para Guilherme e fiquei com pena de acorda-lo, estava tão lindo dormindo, meu coração se acelerou. 
Me ajoelhei na sua direção e sussurrei seu nome mais de três vezes até que ele abriu seus olhos lentamente e me olhou.
- Ei... - ele falou sonolento, e então bocejou - São que horas?
- Mais de 10 horas, o cafê ja ta na mesa... - falei 
- Estou indo... - ele falou rindo e se despreguiçou - Pode ir la 
Balançei a cabeça e foi isso que fiz, mas antes peguei um copo de agua e voltei para sala, parei do lado do sofá aonde Ster dormia e segurei uma gargalhada que estava por vim.
Esperei mais alguns segundos e joguei tudo na cara dela, que rapidamente levantou do sofá completamente assustada e limpando seu rosto cheio de agua, eu me acabei de rir. 
- Sua desgraçada!! - gritou Ster me batendo com suas mãos. - Não podia ter simplesmente me acordado normalmente?
Cai no cochenete ainda rindo da cara da Ster, que me xingava de tudo que é nome. 
- Ué... - falei controlando meu riso - Isso que eu fiz é normal, quando alguem não quer acordar ou ta dificultando jogamos agua oras!
E voltei a rir novamente me encolhendo no cochonete, eu estava rindo tanto que chegava a chorar. 
- Vai se ferrar Diana! - ela falou e se levantou do sofá indo em direção ao banheiro 
Respirei fundo e parei de rir, levantei-me do cochonete e fui em direção a mesa do cafê. 
Que foi engraçado isso que eu fiz , foi. haha
Sentei na cadeira da ponta da mesa e começei a fazer meu pão e meu cafê, ate que senti uma mão quente e macia encostar na minha nuca fazendo minha cabeça virar e dar de cara com Guilherme. 
Perdi o ar por alguns instantes.
Ta, ele tava sem camisa.. tinha que ver aquilo, musculos todos de fora... o corpo dele todo definido, meu Deus meu Deus, nao sei como não me acustumei com isso.
Ele sentou na cadeira ao meu lado e começou a fazer seu pão e o cafê e então Ster apareceu meio rabugenta, eu quis rir mas me controlei.
- ah qual foi Ster... - começei a falar enquanto ela se sentava afastada da gente - Foi só brincadeira, você sabe... poxa, não queria que ficasse chateada comigo. 
Ela não respondeu, começou a beber café puro como gostava e nem sequer olhava para mim. 
Comi meu pão todo e bebi meu cafê com leite e fui até ela.
- Para de graça. - falei enquanto tentava abraça-la - sabe que eu te amo ne?! nunca iria fazer algo no qual voce nao iria gostar... 
- MAS VOCE FEZ - ela falou brutamente, me afastando com suas maos - Você podia muito bem ter pelo menos me beliscado inves de jogar agua na minha cara. 
Então Guilherme riu, nos duas olhamos para cara dele e eu fui contagiada por sua risada e começei a gargalhar e depois foi Ster que estranhamente começou a rir tambem.
- Ta bom... - disse ela - Ta desculpada. 
Nos rimos novamente e nos abraçamos.
Minutos depois tiramos a mesa e fomos nos trocar.

sexta-feira, 20 de maio de 2011

34

 Amanhecer de Domingo

Guilherme e eu estavamos sentados em frente de casa, abraçados, precensiando uma das mais belas maravilhas da natureza, 'o amanhecer de um novo dia'.
Depois que eu acordara algumas horas atrás, eu não conseguira voltar a dormir e entao Guilherme dera a ideia de ficarmos aqui no quintal enquanto o amanhecer acontecia.
- É muito lindo! - sussurei admirando o exato momento que o sol saira de tras das montanhas e iluminava nois dois. - ... e romantico.
Os braços de Guilherme me puxram para mais perto dele, seus olhos estavam vidrados nos meus, meu coração estava cada vez mais acelerado e a palma de minhas mãos suavam que nem cachoeira. A luz do sol estava cada vez mais forte, e o mesmo lentamente ia para seu devido lugar.
 As vezes eu parava e pensava no jeito que Guilherme me deixava, quer dizer, não era ruim... pelo contrario, era maravilhoso, eu me sentia 'pelo menos uma vez' importante na vida de um garoto. E quando eu precisava de alguem, ele estava lá... sempre me levando para diversos lugares ou até mesmo festas, comprando vestidos belissimos para mim e sempre insistindo para eu sair com ele mesmo eu nao estando com a minima vontade. Eu já havia sido tão surpreendida ultimamente com as pessoas que eu tava com medo de que Guilherme fosse apenas uma ilusão ou um sonho que a qualquer momento eu acordaria e me daria em conta que ele nunca existiu.
- Eu... - falei meio envergonhada - to com medo. 
Guilherme preocupado passou sua mão em meu rosto e ergueu-a em sua direção, me fazendo olhar em seus lindos, provocantes e misteriosos olhos negros. 
- Medo de que? - ele perguntou sério 
- Medo de que você seja apenas um sonho... - falei com minhas mãos tremulas - medo de acordar a qualquer momento e você sumir para sempre, medo de você me deixar... medo de amanha voce me esquecer e estar com outra. 
Ele riu como se eu acabasse de contar alguma piada, suas mãos soltaram meu rosto e as luzes solares iluminaram seu rosto dando a impreensão de estar presente em algum filme.
- Do que você ta rindo? - perguntei meio aborrecida - eu to falando serio, se me acha boba por sentir medo disso, me desculpa então... 
Levantei-me atrapalhadamente e fui em direção a porta mas a mão de Guilherme foi mais agil e rapida, seguraram em meu braço e me puxou de volta. Quando me virei ele estava em pé, seu corpo a centimetros do meu. 
- Não estou rindo de você - ele falou sorrindo - Estou rindo por voce achar isso, por você achar que sou um canalha. Se eu lhe dou essa impreensão, desculpe...
Nossos olhos se encontraram e meu coração falhou, minhas pernas tremiam. 
- Diana... - falou - eu me preocupo demais com você. Nos não se conhecemos a muito tempo eu sei, mas se me perguntar como cheguei a sua casa eu não saberei responder, eu deixei que meu coração me levasse, eu estou sozinho nesta cidade, mas quando estou com você... é como só existisse só nois dois e meu maior medo é de te decepcionar.
Lagrimas desciam de meus olhos e caminhavam pelo meu rosto, meu coração batia tanto que chegava a doer, minhas mãos, minhas pernas tremiam tanto que eu estava quase me esquecendo de como controla-los. Não consegui responder, apenas o abraçei tão forte, sentindo suas mãos alisando minhas costas e depois minha cabeça, nunca me senti tão segura.. tão... tão.. ah, essa mesmo que está pensando. 
Nossos lábios se encontram finalmente, deixando que nossos corações se tornassem unico... 


quinta-feira, 19 de maio de 2011

33

19:00 Sabado - Casa


Quando minha mãe chegou, nos reunimos na sala de jantar sentando cada um em uma cadeira, explicamos tudo menos a parte em que eu tive aquela sensação maluca.
Abalada pelo que tinhamos dito ela desviou seu olhar de mim e foi para Ster que foi para Guilherme que depois foi para mim e falou:
- Tudo bem... - ela se levantou da cadeira - Podem dormir aqui... só hoje, e Guilherme eu lamento muito sobre seu amigo. 
Ele apenas assentiu e dei aquele sorrisinho murcho e triste, fazendo meu coração parar por um segundo. 
- Vamos ver um filme? - perguntei me virando para olhar os dois, não tão animados eles apenas balançaram a cabeça e se levantaram junto comigo. 
Ster preparou o sofá e o outro cochonete que botavamos em frente do sofá e um pouco afastado da tv, Guilherme tinha ido numa locadora com uma ajuda 'financeira' minha e da Ster para alugar um filme, e eu fui fazer suco e a pipoca. 
Não demoramos mais de 30 minutos para que nosso 'cineminha' estivesse pronto e aconchegante, fiquei ao lado de Guilherme no cochonete e Ster ficou no sofá, abraçada com o cobertor,  Guilherme tinha alugado o filme "Um amor para recordar", já tinha ouvido falar nesse filme... o pessoal da escola falara que era muito triste, romantico... podia nos distrair pelo resto da noite pelo menos. 
Não liguei, meu corpo e do Guilherme ficaram tão proximos que sentia a sua respiração, seus batimentos cardiacos... seu corpo esquentou rapidamente o meu, tanto que minutos depois ja estava com calor... como ele conseguira ser tao quente? ou me fazer sentir tão aconchegante, tão quente quando estava perto dele? 
Seus braços envolveram minha cintura, subindo e parando em meus ombros, encostei minha cabeça em seu ombro quando Ster apertou play e o filme começara a rodar.


Meia hora depois o ronco da Ster estava mais alto que o filme, Guilherme riu pela primeira vez depois que voltamos do cinema e eu tambem. Olhamos um para o outro, e percebi um brilho diferente, incomum em seus olhos negros, algo que fizera meu coração se acelerar, minha mente girar e minhas mãos suarem.. algo forte, algo avassalador...algo que nunca tinha sentido antes, algo que não sabia explicar... só sentir.
2 horas depois, eu acordei lentamente me lembrando que eu estava na sala e que estavamos la vendo filme. Guilherme tava acordado, com os braços cruzados definindo seus musculos, seus olhos estavam fixados no chão como se estivesse na mesma posição a muito tempo, sentei-me e encostei minha mão em seu braço, ele se virou lentamente aproximando seu rosto do meu e me beijando. 
Seus lábios estavam quentes, tensos mais ao mesmo tempo carinhosos,deliciosos e macios como travesseiro, meu coração pulou enquanto suas mãos desenhavam as curvas de meu corpo.

domingo, 15 de maio de 2011

32

17:59 Sabado - Casa


Entramos em casa, estavamos completamente acabados depois de ter prescenciado aquele acontecimento. Guilherme era o mais abalado de nois duas, claro.. o amigo acabara de virar cinzas, se explodir, até eu ficaria como ele ficara. Ele se jogou no sofá da sala pondo uma de suas mãos em seu rosto e massageando sua testa, parei em sua frente acariciando seus cabelos. 
- Quer passar a noite aqui? - perguntei sem 'maldade' nenhuma - Sabe... posso perguntar a minha mãe vai deixar, e você pode relaxar um pouco aqui com a gente. 
Guilherme olhou para mim e tentou sorrir mas nao conseguiu, meu coração se apertou.. eu nao gostava de ve-lo daquele jeito mas o que eu poderia fazer? 
- Não quero incomodar. - ele respondeu friamente,suspirou pesado e fechou os olhos. 
- Não vai incomodar...- eu falei sentando ao seu lado - Por favor, fique aqui só por hoje... 
Ele pareceu pensar um pouco, jogou sua cabeça para trás e se levantou.
- Irei buscar uma roupa para mim. - ele foi até a porta e me deu uma ultima olhada - Vai ficar bem enquanto isso?
Balançei a cabeça e fui em direção a porta mais ele ja tinha saido e fechado a porta, Ster estava em meu quarto se derramando em lágrimas, ela ligaria para sua mãe mais tarde.
Tirei o telefone do gancho e disquei o numero do celular da minha mãe, ela atendeu quando tocou pela segunda vez.
- Filha? Você não iria pro shopping? 
Respirei fundo e respondi.
- E fui... encontrei guilherme lá e tals. 
- hum, eai... viram o filme? 
- Não.. e mesmo assim, não ia dar mesmo. - fechei meus olhos me preparando-me para o que diria para minha mãe.
- Como assim? - perguntou 
- Quando chegar em casa, nois vamos falar.- falei
- Nois? quem ta ai Diana? - perguntou séria
- Como disse, encontrei Guilherme no shopping e bem... 'aconteceu' um acidente no shopping, e o amigo dele morreu e ele está mal, a Ster vai dormir aqui em casa hoje ta?! ela ta muito abalada, e o Guilherme tambem ok?! Ele ta tão mal mãe, deixa ele dormir aqui por favoorr... - implorei.
- Acidente? Que acidente Diana? me conte o que aconteceu A-G-O-R-A. - ela falou
- Calma mãe, estamos todos bem... quando voce chegar em casa iremos te falar o que aconteceu, está bem? e Guilherme irá dormi aqui. 
- Ta, vou ver isso quando eu chegar.
- Tchau , te amo. 

Falei e desliguei o telefone colocando-o mesmo de volta ao gancho e corri em direção ao meu quarto. 
E la estava Ster, coitada. 
Eu sabia que ao conhecer Antonio já tava fantasiando futuros relacionamentos para os dois que agora não iria mas se realizar, sentei-me ao lado de minha amiga e fiquei tirando os fios de seu cabelo grudados em seu rosto.
- Vai tomar um banho amiga, e tente relaxar um pouco para depois ligar para sua mãe. - falei pegando uma toalha para ela e pondo ao seu lado, ela balançou a cabeça e foi em direção ao banheiro, trancando a porta. Suspirei sentando na beirada de minha cama e me jogando para trás, fechei meus olhos e tentei relaxar.. mas nao conseguia. 


31

16:50 Sabado - Cinema

  
   Sentamos na ultima fileira da sala do cinema, eu no canto, Guilherme do meu lado, Ster do lado de Guilherme e Antonio do lado de Ster. 
Minhas pernas ainda tremiam, não por causa do efeito 'Guilherme'  mais por aquela sensação que eu tive, eu não conseguia sorrir, meu rosto estava tenso demais, duro demais. 
- Diana... - sussurou Guilherme ao meu ouvido, seu tom de voz saira preocupado - Você está bem? Está um pouco pálida... 
Abaixei um pouco meu rosto, meu coração se apertava tanto que parecia estar sendo esmagado, o pelo de meus braços estavam eriçados, tremi. 
- Diana? - falou novamente Guilherme, só que sua voz sooara mais preocupada, séria. 
- Estou... sim...bem. - falei meio confusa, aquela sensação piorara e dava um horrivel efeito em meu corpo. - Só estou com uma sensação nada boa, coisa nada haver... ignore, estou bem.
Ele não pareceu convencido o suficiente, deu mais uma olhada em meus olhos, pos um de seus braços em volta de meu pescoço e me deu a pipoca, começei a come-la rapidamente, eu estava tão nervosa... caraca o que deu em mim? por que eu tava assim? que sensação era aquela?
Respirei fundo, fechei meus olhos enconstando minha cabeça no ombro de Guilherme. Queria acreditar que ficariamos bem, que aquela sensação era só babo cisse, mas estava tao forte, tão real que eu não acreditava em mais nada, as lagrimas arderam em meus olhos. 
E foi então que todas as luzes que iluminavam a sala se apagaram e meu coração se apertou cada vez mais, apertei minhas maos na de Guilherme que rapidamente voltara a me olhar preocupado. 
- Vamos embora... - falei enquanto deixava as lagrimas rolarem - Por favor.. vamos embora!!
Preocupado, Guilherme levantou-se retirando o saco de pipoca de meu colo e com outra mão ergue-o para mim, eu a peguei tremendo e me levantei... minhas pernas tremiam e meu rosto já estava colando por causa das lagrimas. 
- Vou dar uma volta com a Diana, ela não esta nada bem... - explicou Guilherme para Antonio e para Ster. A mesma me olhara preocupada e fez um sinal para que eu fosse com Guilherme.
- Não vou sem Ster. - falei chorando, ela me olhara desapontada 
- Pode ir amiga, eu te ligo quando acabar a sessão. - ela falou sinalizando com o dedo em direção a Antonio. - Eu te conto tudo quando acabar, pode deixar. 
-Não vou sem voce. - repeti um pouco mais nervosa - Vamos embora, vamos pra casa.. outro dia a gente vê esse filme, mas vamos embora por favor.
Minhas pernas tremiam tanto que torcia meu pé mesmo parada, Guilherme me segurou colando meu corpo no dele, continuei implorando para que Ster fosse junto comigo, mas ela dava uma de teimosa só para ficar com Antonio..., aquela sensação ruim ainda estava em mim, e só iria embora quando eu saisse dali com Guilherme e Ster.
- Diana, relaxa... vamos ficar só algumas horas sem se falar. - ela implorou - Por favor, me deixa aqui. 
Meu coração se apertou mais, eu não podia deixa-la ali, levantei meu rosto olhando para Guilherme. 
- Ster... - disse Guilherme meio convincente - Melhor voce vim com a gente, acho que Diana não ficara bem até você resolver ficar com a gente.
Agradeci de alma e coração por Guilherme ter me apoiado naquele momento, Ster nervosa, levantou-se lentamente da cadeira e olhou para Antonio que dissera que iria ver o filme, Guilherme se despediu dele com um aceno e saimos finalmente da sala de cinema. 
Fomos em direção a praça de alimentaçao, sentamos em uma mesa perto do mcdonalds, a sensação já havia indo embora, graças a Deus.
Ster apoio seu braço em cima da mesa de marmore e me fitou.
- Você fez isso para eu não ficar com o Antonio não é?!  - perguntou séria. 
O que? ela tava assim por causa de um garoto? 
- Claro que não ne. - falei, Guilherme pegou sua carteira e foi no mcdonalds comprar um lanche para gente - Só tive uma sensação muito ruim, quer dizer... tipo um aviso algo do tipo.
Ster riu, nervosamente o que me deixou com raiva. 
Por que ela não acreditava em mim?
- Você ta pirando, deve ser isso. - ela retrucou - Guilherme deve ta afetando sua cabeça agora, relaxa garota.. nada vai acontecer com a g...
Mas antes que Ster pudesse terminar a frase um estrondo horrivel ecoou pelo shopping inteiro, junto com um terremoto terrivel, todas as pessoas ali começaram a correr e meu coração se apertou. 
Vinha do segundo andar, meus olhos se arregalaram enquanto Ster me fitava assustada, nos levantamos pegamos nossas bolsas e começamos procurar Guilherme desesperadamente, houve outro estrondo que fizera o shopping inteiro tremer. 
Começei a chorar novamente, havia tantas pessoas caindo, tantas crianças perdidas no meio daquela multidão que minha vontade foi de ficar em um canto e rezar para que não acontecesse nada com a gente. 
Ster e eu levamos um puxão pelo braço tão forte que gritamos, ao virarmos demos de cara com Guilherme. 
Nos duas o abraçamos e logo em seguida ele nos guiou para uma saída mais proxima, paramos em frente da porta automatica do shopping, lentamente fomos recuperando nosso folêgo, foi ai que vimos fumaça saindo do segundo andar, tremi. 
- O que foi aquilo? - perguntou Ster assustada 
- Bomba. - respondeu um homem que parara ao nosso lado, estava completamente sujo de poeira. - Alguem pos uma bomba no cinema. Explodiu tudo!
Meu coração se apertou novamente, meu corpo tremeu ao me lembrar que Antonio tava la, da sensação que tive e do desespero que fiquei para sair daquele lugar.
- O que? não... - gaguejei - Não é possivel... ah tantos seguranças, como botaram uma bomba dentro do cinema? 
As lagrimas cairam descontrolavelmente de meus olhos enquanto Guilherme me puxava para um abraço e Ster ficara imovel, domada pelo choque... pânico e o medo. 
- Não sei... - respondeu o cara, olhando para os lados . - Eu to indo embora, e sou mais voces irem tambem... não sei se ainda tem mais bomba espalhada por esse shopping... 
Então ele se foi.
Eu, Guilherme e Ster ainda estavamos parados,imoveis pelo que acontecera... o que aquilo significava? por que eu sentira aquilo? como eu sabia que algo de ruim iria acontecer? e o Antonio? ele morreu? 
-O... o... Antonio - soluçou Ster em lagrimas - Está moooorto! 
Fechei meus olhos e escondi meu rosto no peitoral de Guilherme que parecia estar mais em choque que eu e Ster, imaginei o que ele deveria estar sentindo... o amigo morto... tudo em cinzas... 
- Vamos embora! - falei por fim quebrando o silencio entre nois, eles balançaram a cabeça e andamos em direção ao ponto de onibus.