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segunda-feira, 11 de julho de 2011

51

Acordei muitíssima animada pra ir pra escola, ainda mais que minha melhor e única amiga fugira do país. 
Continuei na mesma posição ali no sofá cada vez menos indisposta para levantar, me arrumar e ir pra escola. 
Saco.
Ta, eu podia contratar um professor particular como os jovens famosos faziam... mas minha mãe não tinha tanto dinheiro para pagar um pra mim, fechei os olhos e respirei fundo procurando forças para me levantar. 
- Que saco! - falei dando um pulo do sofá e arrastando lentamente meus pés ate chegar no meu quarto, peguei uma toalha qualquer e entrei no banheiro. 
Tomei um delicioso e demorado banho quente.
Se pudesse eu ficaria dentro daquele boxe pro resto do dia, pensando na vida enquanto aquela agua caia sob minha cabeça e escorria pelas partes do meu corpo.Fechei os olhos e levantei meu rosto sentindo aquela agua quente passar pelo mesmo, deixando que minha mente fosse domada por aquelas palavras de Guilherme... sua ultima expressão... seu ultimo sorriso, nosso ultimo beijo, senti um aperto do coração e depois de minutos eu saí indo pro meu quarto enrolada na toalha e pondo o uniforme. 
Estava tão indisposta hoje... sem Ster lá comigo eu iria me sentir como se tivesse acabado de me mudar pra aquela escola.. sem amigos, sem grupo no qual eu pudesse me encaixar. Sem nada. 
Gemi. 
Peguei minha bolsa e pus no meu ombro, saí do quarto indo em direção a cozinha, tomei café e logo fui em direção a porta de casa. 
"Deus, me dê paciencia e força de vontade... estou tão desanimada e preciso tanto de alguem ao meu lado nesse momento. Por favor, me ajude." implorei por pensamentos e fui para o ponto. 

sábado, 9 de julho de 2011

50

- Isso não te interessa. - retruquei enrugando minha testa - O que você faz aqui?
- Se não me interessa-se eu não teria falado. - ele cruzou os braços e se jogou no sofá como se ele morasse ali, olhei rapidamente para a porta do quarto de minha mãe e depois voltei a olha-lo. - Na verdade... vim verificar se você ainda estava viva.
Bufei encostando na parede e desviando meu olhar dele para o chão.
- Agora que  você já teve a prova que eu estou... - falei indicando a porta com minha mão. - Pode ir.
Ele riu e continuou ali, sentado... no meu sofá... me olhando como se estivesse a ponto de aprontar alguma.
- Alias, cade sua namorada? - perguntei fazendo um sinal de aspas com meus dedos quando falei a palavra 'namorada', seu sorriso sumiu.
- Por que está se importando com a Lucky? - ele perguntou desafiador, desde quando Derick era daquele jeito?!
- Não posso perguntar? - falei mordendo meus lábios.
- Ah, claro que pode... - ele sorriu - Mas invés de perguntar sobre algo que eu sei que você não se importa, por que não pergunta como anda a guerra?
Ele levantou uma de suas sobrancelhas, minha expressão mudou..
"Guerra? que guerra era essa?", minhas pernas começaram a tremer e meu coração começava a bater tão rápido que pensei que iria ter um ataque cardíaco.
- Não sei do que você ta falando... - falei abaixando meu rosto, tentando não me deixar intimidar por ele.
- A guerra... - ele finalmente levantou-se do meu sofá e foi na minha direção, parando centímetros afastado de mim. - Na qual você e o seu queridinho Guilherme borboleta causaram.
Levantei meu rosto, quem era ele para ficar falando mal de Guilherme?! e alias, Guilherme não me falara nada sobre isso... se houvesse mesmo uma guerra ele me falaria... não falaria?!
- Olha aqui. - aumentei meu tom de voz e pus meu dedo no meio de seu peitoral (que surpreendente mente estava maior) - Ninguém fala mal dele na minha cara, e não vai ser um fantasma que ta tentando dar um de camarada que vai ter suas exceções, beleza?!
- Calma ae, oh mulher maravilha. - ele riu estendendo os braços como estivesse se rendendo - Não quero te aborrecer, eu só queria que você soubesse do que a 'paixonite' de uma humana pelo anjo das trevas ta causando no mundo.
Tentei não demonstrar nenhuma surpresa ao chamar Guilherme de anjo das trevas, porque ele realmente era... mas o que fiquei mesmo surpresa era por ele saber disso.
E pensei no pai de Guilherme... ele já deveria saber que eu tava viva e por isso declarara guerra?!
- Como sabe sobre Guilherme? - perguntei o desafiando pelo olhar, quem tivera contado isso para Derick já deveria tar morto... eu acreditava, e futuramente Derick também.
Tremi com essa possibilidade, eu não podia gostar tanto de Derick quanto dias atrás... mas isso não queria dizer que eu o queria morto.
DE JEITO NENHUM!
- Ué?! ele não te contou?! - e então Derick riu como se eu tivesse contado alguma piada - Ele tava mesmo querendo me tirar da jogada, hum.
Guilherme?! me contar o que mais?! e ainda sobre Derick que mal conhecera ele direito, quer dizer... os dois se odiavam por nenhum razão eu creio.
- O que Guilherme teria para me contar sobre você Derick? - perguntei
- Se ele não te contou, não vai ser eu que vou falar. - ele respondeu se afastando de mim - Quero que você descubra sozinha. É o meu direito.
Bufei, mas antes que eu pudesse falar algo sobre os meus direitos Derick sumira... tipo assim do nada e além do mais a porta estava metros atrás de mim.
Olhei para o teto e nenhum sinal de que ele voara... será que ele tava invisível? ou se tele-transportou?
Que idiotice... eu tava mais perdida que cego em tiroteio, mas eu ia descobrir.. mesmo que eu tenha que descobrir sem ajuda dos dois.
Alias, cade Guilherme? Será que essa tal guerra que Derick falara era verdade?! Será que Guilherme tava correndo risco?
Voltei a sentar no sofá e observei meu pacote de trakinas intocavel e meu refrigerante aberto.
Eu passei a noite toda assim...
               Comendo trakinas, bebendo coca cola e pensando onde Guilherme estaria.

49

Acordei no meio da noite depois de um sonho bem estranho.
Queria esquece-lo pois nele envolvia Derick e tudo que vinha de Derick só me fazia mal, mas mesmo assim.. ele estava diferente no sonho, estava mais bonito e menos feliz, parecia preocupado... preocupado comigo, preocupado com meu futuro, como se ele já soubesse o que eu estava passando. Respirei fundo tirando a minha franja que estava na minha cara, levantei da cama e fui em direção a cozinha. 
Estava tudo escuro, parecia que eu estava presa num filme de terror.
Liguei todas as luzes do corredor e entrei na cozinha lentamente, eu ainda estava com sono e o sono me deixava mais lerda do que eu ja tava,catei um trakinas de morango, peguei uma latinha de refrigerante e fui para sala. 
Já eram quase 20hrs, como eu dormira por tanto tempo? e como Guilherme ainda não viera me ver? ou fazer algum sinal pra me mostrar que estava tudo bem? 
Ele era um anjo, ele sabia ler meus pensamentos... ele sabia que eu tava preocupada e então pra que esse suspense todo? 
Sentei no sofá e liguei a tv pondo no canal de desenhos, ta podia ser muito infantil para uma garota daquela idade vendo desenho animado.. mas fazer o que?! eu gostava, era algo que pelo menos podia me distrair naquele momento e sei que não sou a unica adolescente que fica vendo desenho por aí. 
Ster!
Caraca eu me esquecera completamente dela, ela não me ligara para falar do tal encontro que ela arranjara... meu coração se apertou, não sabia bem pelo motivo, mas não tinha uma sensação boa em relação a minha amiga. Será que aconteceu alguma coisa? 
Fui até o telefone e disquei o numero do seu celular.
Ocupado.
Disquei para a casa dela.
Ocupado tambem.
Tentei novamente ligar para seu celular, mas dava ocupado e as vezes caía na caixa postal. 
Tremi ao pensar na possibilidade dela estar morta. 
Claro que não estava, Guilherme sabia que ela era importante para mim e não iria fazer mal a ela... eu achava, porque eu não sabia quantas vezes ele iria se arriscar para me proteger. 
Coloquei o telefone no gancho e fiquei esperando, não sabia pelo que... mas eu estava esperando. Eu ainda tinha esperança que ela pelo menos me mandasse qualquer mensagem mas que estava morrendo de acordo com o tempo que passava cada vez mais rápido. 
Minutos depois peguei o telefone novamente e disquei seu número. 
Caixa postal.
- Esqueça. - falou uma voz masculina, porém muito sexy atrás de mim. - Ela não vai atender. 
Meu corpo congelou. 
Não quis me virar, tinha medo de quem era. 
O pânico começou a fazer com que meu corpo tremesse todo, minha mente girava e meus olhos piscavam várias vezes tentando conter as lágrimas. 
- Mi dispiace disturbarti, Miss. - eu não entendera nada que ele falara mas eu sabia que era Italiano pelo sotaque. - Já estou indo, só vim avisa-la que.. sua amiga Ster saíra do país.
Me virei rapidamente e segurei em seu braço, meus olhos foram rapidamente na direção do seu rosto e o choque atravessara meus olhos. 
O garoto era idêntico com Derick dos meus sonhos, eu fiquei paralisada ali... enquanto meus olhos admiravam aquela beleza inconfundível. 
Ele estava mais bonito do que eu podia imaginar, meu coração se acelerou. 
- Derick? - minha voz falhou, eu não queria saber da resposta porém eu já sabia qual era...
- Eu. - ele falou erguendo seu rosto, era impressão minha ou ele estava mais branco? 
- Como? o que? - levei minha mão no rosto afastando os cabelos do mesmo, cruzei os braços ainda incrédula.. o que ele tava fazendo aqui? - O que faz aqui? e desde quando você fala italiano?
- Eu aprendi. - ele falou - A séculos antes de você mesma nascer. 
Balancei a cabeça, querendo que aquilo tudo acabasse... que isso fosse apenas mais um sonho que eu tivera. 
Ai meu Deus! 
O que eu fiz para merecer isso? 
- Você está louco. - eu falei dando as costas para ele, mas suas mãos foram em meus ombros e quando as tocou senti uma leve calma passar pelo meu corpo. 
- Louco era aquele seu "quase" namorado... - ele falou fixando seus olhos azuis nos meus. - ... que tentara te matar. 
Eu me encolhi. 
O que ele queria? e o que ele sabia sobre aquele assunto que não interessava a ele? 
Engoli a raiva que descera com dificuldade pela garganta e voltei a olha-lo, com mais confiança... sem medo.


quinta-feira, 7 de julho de 2011

48

A dor tinha aliviado um pouco depois que Guilherme se foi.
Minha mente relembrava tudo que ele me falara, o que ele era.. quem era seu pai e ainda mais depois da grande revelação por ainda não ter me matado. 
Suspirei bem fundo escondendo meu rosto no travesseiro, fiquei assim por várias e tediantes horas, eu queria tanto que ele voltasse rápido para ficar comigo, para me contar mais sobre sua espécie, tipo que eu tava achando tudo aquilo fascinante demais e tinha que admitir que as vezes eu ficava com medo, não de Guilherme é claro, mas sim do seu pai.. o anjo da morte.
Pensei nos rostos daquelas pessoas que estavam sendo mortas, e nos outros rostos das pessoas que não morreriam por causa de sua alma ruim, me encolhi pensando quem seria elas... e ate quanto era o grau de maldade delas. Tremi. 
- Filha? - minha mãe abriu um pouco da porta do meu quarto e deu uma espiadinha em mim. - Tudo bem?
Eu sorri por minha mãe estar bem, Guilherme não teria coragem de machuca-la.. podia me machucar, mas nao machucaria ela. 
- To otima mãe... - eu falei me movendo um pouco. - Por que demorou?
Ela entrou no meu quarto, e foi ai que percebi seus traços preocupantes.
- O transito tava péssimo. - ela suspirou - Mas eai... como foi ontem?
- É foi legal. - eu falei desanimada.
- E eles já foram para casa? - perguntou ela dando uma olhada pelos cantos do quarto.
- Já ne mãe, ta vendo mais alguém aqui comigo? - eu falei
- Ata, eu vou descansar, se estiver com fome é só esquentar seu prato ta bom?! - ela falou tentando sorrir, mas estava tensa demais... ela tava me escondendo algo.
- Ok. - e assim o nosso pequeno dialogo terminou, afundei novamente meu rosto no travesseiro imaginando como seria Guilherme com asas, mas não brancas, e sim negras como seus olhos. Então senti uma onda de calor passar pelo meu corpo, aquecendo tudo que vinha pela frente.. e isso me fez ficar mais relaxada, mas em paz com meu corpo.
Fechei os olhos e sorri, me lembrando do seu toque, do seu cheiro, do seu modo de falar, do seu sorriso, dos seus olho misteriosos , de seu corpo musculoso... wow!
Chega!
Tenho que pensar em outra antes que eu fique completamente louca.
Levantei da cama com uma baita preguiça e peguei meu celular, voltei a sentar na beirada da minha cama e pus a música : "What Hurts The Most" , a música mais perfeita para mim. 
Pus os fones no meu ouvido e começei a cantar : 
"What hurts the most, was being so close and having so much to say
and watching you walk away
and never knowing, what could have been and not seein that lovin you
is what i was tryin to do"




47

Ficamos ali por horas conversando sobre sua especie, é claro que do jeito que sou curiosa perguntei tudoooo! sem exceções e ele finalmente me respondeu com as mais sinceras palavras.
Seus olhos não estavam tão escuros quanto antes, seu rosto demonstrava seriedade.. tranquilidade, como se tivesse conversado sobre isso comigo milhões de vezes.
- Mais a uma coisa que eu ainda não te contei... - ele falou cruzando os braços e sorrindo travesso - Sobre os pais de Lucky.
Meu coração falhou, quando ele pronunciou o nome de Lucky automaticamente a imagem do rosto de Derick passou pela minha cabeça.
- O que? - perguntei desinteressada, não o olhei.
- Eu... matei os pais dela. - ele falou, eu percebi que em seu tom de voz... tinha mesmo que fosse um pingo...arrependimento.
- Você matou os pais dela? - fiquei surpresa por eu não ter me exaltado, porque foi a culpa de Guilherme por eu ter me afastado de Derick... mas eu não estava nem ai para Derick, então para mim tanto faz quem tinha matado os pais de Lucky.
- Eles... eram bons? - perguntei meio sem graça, nunca tinha visto ou conhecido os pais de Lucky, mas para mim a imagem da filha eram a imagem dos pais.
- Não tanto. - ele respondeu meio pensativo. - Mas eles sabiam de nossa existencia e estavam planejando algo grandioso para nos exterminar.
Eu balançei a cabeça um pouco incredula, voltei a olhar para Guilherme e em seus olhos haviam aquele brilho demoniaco que eu vira quando ele tentara me matar.
- Foi muito prazeroso te-los matado. - ele riu e lambeu os seus labios, me dando um pouco de medo. - Meu pai ficou com tanto orgulho de mim, que me deixou ficar por aqui mais uns meses.
O que?? como assim "meu pai ficou com tanto orgulho de mim, que me deixou ficar por aqui mais uns meses?" fiquei irritada mesmo, nunca passara na minha cabeça que Guilherme tinha um certo limite para ficar nos lugares.
- Você vai embora? - perguntei irritada, nervosa e raivosa... tudo com 'osa' - você vai me deixar?
- Não por enquanto. - ele respondeu desanimado e preocupado - Eu nunca senti medo em toda minha existência, nunca recuei uma só vez quando o destino me dava uma oportunidade mas agora...
Ele respirou fundo e fechou os olhos, parecia que ele queria chorar... meu coração se apertou
- Eu to com medo de quando eu partir e acabar deixando você sem proteção, to com medo de quando meu pai descobrir que você ta viva. - ele falou cada vez mais preocupado - Não to com medo do que ele irá fazer comigo, mas sim com você... Diana... ninguem nunca vai sentir isso que to sentindo.
- Calma Gui. - eu falei me levantando de onde estava e o abraçando mesmo com aquela dor insuportavel no corpo. - Eu não vou deixar ele me machucar, e nem te machucar.
Ele tentou falar alguma coisa, mas antes que as palavras fossem pronunciadas.. a expressão de seu rosto mudou.
- Eu tenho que ir. - ele falou me fazendo se afastar dele. - Meu pai... precisa de mim.
Fiquei em pânico, não sabia o que fazer nem o que falar... as palavras estavam emboladas em minha garganta.
- Será que ele sabe? - perguntei sentindo os pelos dos meus braços se arrepiarem.
- Ainda não... - ele falou fixando seu olhar em um lugar muito distante de onde estavamos. - Ele só quer que eu mate alguém.
Meu coração se acelerou quando ele me lançou aquele olhar feroz na minha direção e sorrio, ele se aproximou de mim, e rapidamente colou meus lábios nos deles me fazendo sentir calma. Eu sorri abobada e então ele se foi.

quarta-feira, 6 de julho de 2011

46

Abri lentamente meus olhos, a visão tava meio embassada mas mesmo assim consegui distinguir o rosto de Guilherme, a luz do teto deixava seu rosto um pouco iluminado.
- Como você ta? - ele perguntou, senti uma pontada de preocupação no seu tom de voz.
- O que você acha? - falei desafiadoramente, eu não conseguia mexer muito bem meu corpo.. estava pesado demais.
- Não quero brigar com você. - ele falou severo sentando ao meu lado.
- Não quer? então quer por favor me explicar... - tossi - Por que queria me matar?
Ele ficou em silencio por um bom tempo, parecia que estava procurando as palavras exatas e com muito cuidado como iria dize-las.
- É complicado. - ele falou fixando seus olhos negros nos meus, eu não tinha mais medo dele, ele realmente tinha me surpreendido.. mas era minha vez de surpreende-lo.
- Sou capaz de entender. - falei tentando fazer esforço para eu me sentar, mas não consegui.. a mão de Guilherme me obrigara a me deixar deitada. Gemi.
- Estou me referindo... - ele hesitou por uns instantes - a sua éspecie.
Hã? cuma?
Eu realmente começei a me sentir algum tipo de animal, nao entendi muito bem o que ele queria se referir com  a 'minha especie'.. sera que minha familia e eu tinhamos algum tipo de problema?
- O que voce quer dizer com isso? - perguntei atordoada - Voce ta chamando minha familia e eu de doentes?
Ele riu, mas não por achar graça no que eu falara... mas de nervoso.
- Não... - ele falou acariciando meu rosto, ele sabia como me deixar calma mesmo depois do que tinha acontecido. - Estou falando da especie humana... vocês nao iriam entender, acreditar se eu falasse.
Enrruguei minha testa.
- Você é algum tipo de mutante? - perguntei cruzando meus braços com dificuldade, Guilherme riu novamente olhando para janela a fora.
- Não, mas é algo dificil de se explicar. - ele falou ficando sério - você não iria acreditar em mim se eu dissesse.
- Creio que nessa altura do campeonato sou capaz de até acreditar que papai noel me visita todas as noites. - falei sarcasticamente, ele me olhou mordendo seus labios .
- Eu sou um anjo... - ele falou levantando-se de minha cama e andando pelo meu quarto, de um lado pro outro - Não sou um tipo qualquer de anjo... minha especia é rara, quase não se tem por aí.
Meu coração se acelerou... "um anjo? mas anjos não são bons?" pensei e voltei a olha-lo.
- Nem sempre. - ele respondeu meus pensamentos - Meu pai é o anjo das trevas, é o anjo da morte... podemos dizer que ele é demonio, mas então... ele sempre falara que temos que matar as pessoas que praticam o bem porque no futuro poderiam acabar com a nossa especie mesmo que eles sejam os mais fracos...
Deixei ele continuar, eu tentara mil vezes imaginar como seria a familia de Guilherme... mas agora seria um pouco mais dificil pois eu não sabia como deveria ser a forma de um demonio ou de um anjo demoniaco.
- Sou imortal... - ele falou pondo seus braços para trás. - Eu vivo para matar, sou uma maquina de assassinatos.. matar me faz bem... quero dizer, pode ser horrivel para você estar ouvindo esse tipo de coisa,  mas matar faz com que nossa especie evolua mais.
Eu tentei raciocinar com uma coisa dessas, como isso?! era realmente horrivel demais.
Então imaginei quantas vitimas estavam mortas por causa do pai de Guilherme e quantas mais poderiam morrer.
- Por que isso? - perguntei com a minha voz tristonha. - Vocês vao aniquilar toda a especie humana?
- Não exatamente. - ele respondeu voltando a se virar na minha direção. - Meu pai só quer as pessoas com a  alma pura mortas... e as pessoas com a alma ruim, demoniacas vivas, mas ele ainda nao me disse o por que.
- Quer dizer... - eu parei para rapidamente tentar raciocinar com aquelas palavras. - você é escravo do seu proprio pai?!
- Não... - ele falou rindo - Temos direito de escolha.. ou serviamos os desejos de meu pai ou nos tornariamos humanos e na primeira oportunidade iriamos ser assassinados brutamente.
Meu coração vacilou, eu nao queria imaginar Guilherme morto... ainda mais que eu nao sabia o metodo de como eles matavam.
- Então voce escolheu ser uma maquina de matar por livre e espontanea pressao? - perguntei cada vez mais curiosa, aquilo estava me deixando anciosa.
- Não. - ele respondeu com o olhar severo - Eu escolhi ser isso porque eu sabia que eu era assim, meu destino sempre foi esse e eu não poderia fugir do meu proprio destino.
Abri minha boca um pouco e fiquei pensando, ou tentando pensar um pouco sobre aquilo... mas ainda ele não tirara minha duvida.. por que ele nao me matara?
- Por que voce nao me matou? - perguntei depois de um certo tempo, engoli em seco esperando anciosamente pela resposta.
Ele não respondeu nos primeiros segundos, mas logo ele voltou a sorrir carinhosamente para mim.
- Eu queria matar você, era minha obrigação. - ele falou cada vez mais sombrio - Eu tive que inventar aquele sonho que você teve para enganar meu pai, mas daqui a um certo tempo ele vai descobrir que você ta viva e não sei o que vai acontecer...
- Então por que nao me matou? meu Deus Guilherme... - eu gritei indignada, ele estava com pena de mim? - Não quero que seu pai faça alguma coisa com você, só porque voce ta com pena de me matar!
- Hã? - ele me olhou confuso e logo riu. - Eu? com pena? de você?
E riu novamente.
- Deveria ter não é?! - gaguejei - Já que voce não me matou ainda...
Ele parou de rir e foi até mim, ajoelhou-se e pegou nas minhas mãos.
- Eu não te matei por ter pena de você. - ele falou sorrindo, meu coração se acelerou.
- Então por que? - perguntei
Ele fechou os olhos e tentou sei la o que ele tava fazendo, parecia estar tentando achar as palavras certas, para falar.
- É bem dificil...- ele falou - para o caçador matar a sua caça quando se está apaixonado por ela.

45

Não sabia mais o que fazer, eu estava perdida nas minhas lagrimas.. nas minhas lembranças.
O que se passava na cabeça de um garoto para iludir uma garota, por tantos dias?! Ainda bem que isso não foi tão longe  poderia ter sido mais doloroso do que estava sendo, encolhi-me na cama forçando meus olhos a se fecharem e obrigar a minha mente tirar a imagem de Guilherme dali... tirar a sensação de suas mãos na minha gargante, tirar a sensação dos labios deles nos meus.. tirar tudo! Mas isso seria a parte mais dificil e mais dolorosa.. o pior nem era esquecer, mas sim a decepção depois de tudo que vivemos por esses dias.
- Meu Deus... - gemi virando minha barriga para cima, as lagrimas estavam cada vez mais descontroladas - O que eu fiz para merecer isso?

Eu tremi na cama e logo peguei o cobertor cobrindo o meu corpo, eu queria gritar.. eu queria fazer algo que aliviasse minha dor, algo que desviasse esse tipo de dor para outra.. uma física.
Por um momento eu me lembrei daquelas pessoas que faziam para aliviar a dor.. elas se cortavam.
Eu senti medo, mas o medo já estava fora de cogitação depois daquela tarde com Guilherme. Tirei o cobertor de cima de mim e levantei da cama sabendo o que eu iria fazer, prendi meu cabelo e fui em direção a cozinha com minhas pernas tremulas, parei na porta meio hesitante e fiquei analisando... lembrando como fora a manhã de hoje.. como tinha sido... tão... tão boa!
Entrei indo em direção a gaveta onde estava todos os talheres.
Olhei em volta para me certificar que não havia ninguem ali, olhei pelos cantos da janela... olhei ao redor da cozinha... e realmente não tinha ninguem ali, por fim eu peguei a faca mais afiada que tinha e fiquei a girando em meus dedos pensando em qual lugar do meu corpo eu iria fazer o corte.. o pulso era o mais comum, e acho que serveria para mim, pus meu pulso sob a bancada da cozinha e lentamente fui direcionando a faca na direção da mesma mas algo me impedira... algo forte a segurava, eu tentei puxar a faca, mas minha mão escorregou na pequena parte que servia para segura-la e acabei cortando a palma da minha mão.
A primeira coisa que fiz foi soltar um gritinho e fazer com que a outra mão segurasse a palma da mão cortada tentando tampar o corte, mas o sangue escorria por todos os lados... tudo começava a girar mas antes que eu pudesse cair senti uma mão forte, familiar e quente segurar em meu braço e me fazer ficar em pé.
Virei meu rosto dando de cara com Guilherme, meus olhos... meu corpo.. tudo começou a arder de raiva, ate aquela dor na palma da mão era insignificante para o que eu estava sentindo ao ve-lo.
- VAI EMBORA! - gritei tentando me livrar de sua mão pesada e forte - Sai da minha vida, não quero te ver nunca mais!
Mas é claro que ele continuou parado ali, seus olhos não demonstravam mais o que horas atras demonstravam... ele parecia calmo, severo... e... arrependido (?)
Meu coração vacilou novamente, eu sabia que mesmo eu estivesse com raiva de Guilherme o meu coração iria perdoa-lo mesmo pela tentativa de assassinato.
- Não até você parar de querer se cortar! - ele falou tão calmo, tão passivo que parecia que ele ja tinha esquecido o que acontecera... o que ele queria fazer comigo.. por que ele estava tão preocupado comigo agora? ele ainda tentava me conquistar? se tentasse iria levar uns bofe na cara mesmo que nao adiantasse nada.
- Por que está tão preocupado comigo?! - eu gritei, sua mão ainda nao tinha me libertado - Ate parece que voce esqueceu que tentou me matar.
Sua expressão não mudou como se aquilo que eu tivesse falado fosse verdade, mas que isso tivesse acontecido a mil anos atras.
- Alias... - eu gritei novamente cada vez mais alterada, meu corpo tremia muito e meu coração tava acelerado. - POR QUE  voce não me matou? Por que não concluiu o que estava fazendo? Ficou com pena?
Parecia que ele não estava escutando, seus olhos se abaixaram em direção a minha mão cortada e a pegou com sua outra mão.
Ele me ignorou novamente.
- Me responda Guilherme! - falei novamente lamentando pelo o meu tom de voz, ele saira fraco.. quase como um sussuro..
Mas antes que ele pudesse responder, eu senti algo... dentro de mim, algo tão forte que me fizera recuar brutamente fazendo com que minhas costas batesse fortemente na parede. Eu arfei, gemi e pus minha mão no intervalo entre meus seios... tava doendo tanto, tanto.
Antes de tudo se apagar a ultima coisa que vi era a expressão de pânico de Guilherme ao ver o que tinha acontecido comigo, seu rosto estava pálido e logo tudo ficou escuro.