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sexta-feira, 7 de outubro de 2011

103

Eu a amava e era esse motivo que eu não podia ser completamente egoísta em relação a ela. 
Eu já causara danos demais, sofrimento demais... já contei mentiras demais e isso só a machucou invés de protege-la, eu sou uma ameaça. 
Que tipo de amor é esse?! que só machuca?!
Eu iria protege-la até que a maldita guerra acabe mas depois.. eu iria deixa-la livre, livre de mim, livre do meu sentimento e de meu mundo.

Eu voava o mais alto que eu podia e pela primeira vez em minha vida eu chorei, é eu estava chorando por uma garota humana que cujo o coração estava partido por causa de minha burrice. Eu estava com odio de mim mesmo, odio por não ser capaz de protege-la até de mim, odio por não ser capaz de ama-la o suficiente para não machuca-la, odio por te-la metido nesta maldita guerra ... odio por não ser capaz de sair de perto dela nem por um segundo e odio por não conseguir fazer com que ela me odeie. 
Eu me odeio por ficar cada vez mais apaixonado. 

102

- Por que está dizendo isso? - ele perguntou - Eu não tinha a intenção de te magoar tanto assim Diana, e alias eu só a transformei porque ela estava morrendo mesmo, eu fiz isso por você.
Tentei imaginar como ele a transformou mas não fazia a menor ideia de como transformava humanos em anjos, enruguei minha testa.
 - Do que adianta ficar se explicando? - falei - Já passou, agora deixa para lá.. isso não irá interferir em  nosso destino, o que está feito.. está feito. Chega, acabou.
Ele pareceu falar uma língua estranha na qual eu não entendi e logo se levantou com o rosto completamente mudado, quando olhei para seus olhos e pude perceber que estavam vermelhos como ontem quando ele me pegou quando estava com Troy, suas asas saíram de suas costas e foram crescendo até chegar ao seu limite, a blusa na qual ele estava vestido se rasgou e as partes ficaram ao redor dele, ele já não me olhava mais e antes que pudesse bater as asas ele falou:
- Desculpe, desculpe por ter feito você ficar assim... - ele falou - esse sentimento pode te ajudar a você me odiar, e isso é o que quero. Eu quero que você se afaste de mim, eu já fui egoísta o bastante para te fazer sofrer, me desculpe novamente... eu te amo e é por isso que não quero você comigo. 
E então ele pegou impulso e rapidamente pulou começando a bater suas grandes asas negras em direção ao céu que em questão de segundos já parecia ser um pontinho preto naquele infinito mar de cor azul. 
- Eu te amo! - gritei em sua direção, mas ele não deve ter escutado.. estava longe demais. - Eu te amo... eu te amo..
Lágrimas voltaram a cair de meus olhos, eu não aguentava mais chorar.. mas era muita dor e dava para deixa-las guardadas em meu peito. 
- Destino... - sussurrei  enquanto chorava alto - tira ele de mim, tira tudo que resta dele aqui... tira ele do meu coração, tira ele de mim


101

Deitei-me na grama da fazenda me encolhendo enquanto deixava que as lágrimas caíssem, era a única maneira de extravasar meus sentimentos, a única maneira de aliviar um pouco a dor que se acumulava dentro de meu peito. 
Foi interessante porque quando comecei a chorar as nuvens do céu começaram a se escurecer e gotas da chuva começaram a cair, foi como se o céu estivesse chorando junto comigo, foi um jeito de me distrair, pus minhas mãos atrás de minha nuca e deixei que as gotas da chuva me molhassem enquanto as gotas das minhas lágrimas caiam em minha bochecha e depois no gramado, fechei meus olhos. 

- Diana... - a voz masculina de Guilherme rapidamente me tiraram de minha distração, tentei ignorar sua voz.. tentei não escutar o meu nome sendo pronunciado por ele, tentei parar de dar tanta importância a ele. - Eu.. queria falar com você.
Respirei fundo e me mantive firme ainda ali, deitada e fingindo que não estava escutando ele... foi a coisa mais difícil que eu já fiz, ignorar a pessoa que amo.. ignorar o chamado de meu coração.
- Por favor... - ele pediu pondo o fim em minha estratégia de ignora-lo, me levantei e fiquei sentada olhando-o. 
- O que você quer? - perguntei fazendo com que minha voz saísse com a maior ignorancia do mundo. - Quer falar mais alguma coisa? quer quebrar mais algum vínculo que existe entre a gente? na verdade não existe nada, só quero saber se você vai me decepcionar de novo.
Seu rosto mudou completamente como se eu tivesse me visto traindo-o , ele abaixou seus olhos e se sentou em minha frente tentando segurar em minhas mãos que rapidamente desviei. 
- Eu só queria deixar claro... - ele falou fixando seus grandes olhos negros nos meus. - eu nunca enganei você em relação a nada, nunca menti sobre meus sentimentos sobre ti. 
Revirei os olhos e bufei esperando que ele terminasse aquele dialogo que eu sabia que não levaria a lugar nenhum.
- Diana... - ele falou agora segurando em minhas mãos, novamente aquela onda de calor passou pelo meu corpo fazendo com que eu o desejasse. - Eu te amo, sempre te amei e se eu menti alguma vez para você é porque eu quis te proteger do meu mundo. 
- E mentir para proteger é uma prova de amor? - falei reunindo forças para não cair em sua rede novamente. - Não quero esses tipos de amor não Guilherme, acho que morrer é meu destino.. já que você conseguiu matar uma boa parte de mim.
- Eu... o que?! - ele perguntou assustado. - O que?
Respirei fundo mordendo o canto de meus lábios, olhei para o céu e percebi que a chuva estava passando. 
- Você me matou... - eu falei - matou os meus sentimentos, matou o que eu era... matou tudo e principalmente, matou minha confiança em você.

100

Todo esse tempo pensei que meu coração estivesse certo em relação ao Guilherme, confiei; senti; amei por demais e agora descubro que ele é verdadeiramente um monstro, sem sentimentos. 
O mundo está cada vez mais frio, mais desumano, mais cruel e muito mais mentiroso. Não se pode acreditar em mais ninguem hoje em dia, nem mesmo em um ANJO, nem mesmo na melhor amiga... o que fizeram com o mundo? o que fizeram com os sentimentos? o que fizeram com as pessoas?
Acho que eu fui a única idiota a acreditar que ainda existia sentimentos, fui idiota o bastante para cair nas redes feitas por mentiras dos outros, eu fui idiota demais, inocente demais, coisa que agora não irei mais ser.
Estava caminhando pelos cantos da fazenda sozinha sem me preocupar onde taria Guilherme e Ster, na verdade eu estava sim preocupado.. o que os dois estariam me escondendo mais? será que estavam tendo um caso?!
Balancei a cabeça tentando tirar aquelas perguntas e insinuações da minha mente mas nada adiantou, era mais forte que eu e tinha que admitir, eu estava completamente com ciumes mas na altura do campeonato isso não importava. 
Eu nunca fui importante para ninguém além de minha mãe, ninguém além dela me amava... isso não é drama, é sentimento, é a dor que meu coração sente.
É duro, é difícil aceitar que uma pessoa que você ama incondicionalmente e que dizia ama-la também menti para você, faz tudo ao contrario do que ele mesmo diz... ele não a ama, nunca amou.. você foi apenas uma diversão, um passatempo.
E é isso que me doi, ser apenas um objeto.. um brinquedo para aquele que eu tanto amei.


domingo, 18 de setembro de 2011

99

Minhas palpébras se abriram e senti o peso de meu corpo pela primeira vez, há muito tempo eu não descansara tanto quanto hoje. Levantei sentindo um cheiro bom de café puro e de misto quente, minha barriga roncou como nunca.
- Nossa. - falei enquanto mastigava o pão e tomava um gole do café - Está do jeito que eu gosto.
- Que bom que gostou. - uma voz feminina surgiu no celeiro fazendo com que meus olhos rapidamente procurassem a dona da voz, apesar de eu já saber quem era.
- Ster? - falei pondo a xícara em cima da bandeja e o pedaço do misto no pequeno prato que havia ali, ajeitei minha roupa e logo meu cabelo ao ve-la se aproximar.
- Oi. - ela falou com um sorriso gentil em seus lábios, se aproximou mais um pouco de mim e se agachou. - Eu que fiz.
Abaixei meus olhos cruzando meus braços, eu não queria falar com ela... não depois do que os dois fizeram comigo.
- Eu sei que não quer falar comigo Diana. - disse Ster - Eu até entendo.
- Não, você não entende... - eu falei lançando um olhar raivoso para a mesma - Vocês em nenhum momento se puseram em meu lugar, em nenhum momento pensaram em como eu deveria estava me sentindo... e não, vocês não tem o direito de falar que entende o que estou sentindo, não tem o direito de continuar falando comigo como se nada tivesse acontecido.
Ela não respondeu apenas se levantou e disse:
- Tudo bem - falou tristonha. - Espero que um dia você entenda que isso foi pro seu bem.
E então ela se foi como o vento deixando que a raiva me dominasse por completo, eu tinha certeza de uma coisa... essa traição mudou completamente o que sinto pelos dois, e com certeza  eu nunca mas iria ser a mesma pessoa, a mesma idiota no qual eles mentiram e enganaram ate agora.
- Eu não quero ser mais idiota. - falei dando um ultimo gole no meu café e uma ultima mordida no meu misto.

segunda-feira, 12 de setembro de 2011

98

Ali estava ela, encolhida no cobertor que Ster conseguira roubar de uma casa qualquer antes que viessemos para cá, o colchão não parecia ser um dos mais confortaveis mas Diana não parecia estar incomodada com eles.
- Linda. - sussurei enquanto me aproximava dela e ficava de joelhos ao seu lado. - Para sempre minha.
Inclinei meu rosto na direção do dela e toquei minha boca em seus lábios macios e quentes como de costume.
Ela não reagiu. 
Isso foi bom e ao mesmo tempo não; eu queria que ela não sentisse que eu estava ali mas ao mesmo tempo queria que ela retribuisse o beijo.
Afastei-me um pouco meu rosto do dela observando os belos traços que formavam seu rosto, tão delicados e femininos que era dificil não admira-los.
- Se eu tivesse o poder de desenhar o destino  - sussurrei novamente - seria somente eu e você, para toda a eternidade... Ninguem precisaria se machucar e você não precisaria chorar mais porque eu estaria ao seu lado para conte-los.
E novamente desejei que ela pudesse ter escutado, pudesse ter acordado e me envolvido com seus braços enquanto falava o quanto me amava.
Eu queria que aquilo acontecesse, eu queria... eu a queria e era isso que não podia me impedir de deixa-la viver sua vida com um humano que poderia faze-la feliz melhor do que eu.

Eu deveria deixa-la ir.
Droga, isso acabava comigo.

97

Dormir para sempre, viver eternamente em seus próprios sonhos.
Até que não era uma má ideia comparando com o que eu estava passando, esse pesadelo que se chama 'viver ou existir'.
Acordar e perceber que a vida não é aquilo tudo que tu pensa e quando acha que está ruim fica mil vezes pior, mesmo que tu não morra tu sofre que nem escravo... escravo da vida, escravo do azar de ter nascido.
Tive que deixar uma lagrima cair de meus olhos, quer dizer num momento como este era impossivel não deixar de chorar, só de lembrar que agora terei que seguir minha vida longe de Guilherme me doía, fazia com que a faca que estava cravada em meu coração apertasse e o fizesse doer como nunca, uma dor na qual eu nunca desejaria para ninguem.

- Por que me deixaras? - sussurrei comigo mesma enquanto limpava minhas lagrimas com a palma de minha mão e me estremecia debaixo do cobertor, com o passar das horas o clima ia ficando cada vez mais frio, mas desconfortavel.
Então tudo ficou escuro.

Estavamos em um campo tão grande e tão florido, era tão bonito que parecia ser o único lugar que chegava mais perto do paraíso. Eu estava tão vidrada naquela beleza que nem percebi que havia uma garota ao meu lado, admirando como eu.

- Quem é você? - perguntei ouvindo o eco de minha voz sooar pelos arredores do campo, quando ela se virou pude distinguir rapidamente a cor de seus olhos.
Dourado topazio. Lindos e hipnotizantes, era dificil não parar de olha-los e com delicadeza ela jogou um pouco de seus cabelos loiros para o lado.
- Jaqueline, mas me chame de Jaque. - ela falou mostrando seus belos dentes brancos - E você deve ser a tal Diana não é?!
Tenho que admitir que fiquei com um pouco de inveja de sua beleza alias, ela parecia um clone daquelas deusas do Olimpo, quando saí do transe rapidamente tentei pensar em uma resposta.
- Ah.. acho que sou. - falei enrugando a testa, - que tipo de resposta foi essa? -
Ela voltou a olhar para o campo e em seguida - como se estivesse dançando - caminhou em direção ao meio do mesmo.
- Já esteve presente em um lugar como este? - ela perguntou virando seu rosto em minha direção e me lançando aquela olhar dourado para mim - cara, eu precisava daqueles olhos -
Apenas balançei a cabeça respondendo sua pergunta, inves de ter sido um jesto delicado e calmo, foi como se eu tivesse jogado meus cabelos em frente do ventilador.
Como ela conseguia tal perfeição?
- Então... - ela falou sentando-se e acariciando as flores ao seu redor - Não te chamei até aqui para falar sobre o lugar.
Perai! ela me chamou ate aqui? o que?! ela nem me conhecia.
- Sei que parece meio confuso para você... - ela me olhou novamente, mas me olhou de um jeito tão profundo que pensei que estaria vendo minha alma. - Mas alguem precisava te avisar sobre...
Ainda havia um grande ponto de interrogação no meio de minha cabeça, ta que ela é muito bonita e tals.. mas ela parecia pirada da vida, porque ela não tava dizendo coisa por coisa.
- O que? - perguntei atordoada, o que deveria ser?!
- Guilherme não queria que ninguem soubesse esse tal plano. - ela falou movimentando suas mãos. - Mas não conte a ninguem sobre o que irei falar, é de extrema segurança... promete?
Fiz que sim com a cabeça.
- Prometo. - falei um tanto curiosa, agora seus olhos pareciam mais escuros, menos brilhantes e mais sombrios.
- Você vai morrer. - ela falou mas antes que eu pudesse falar algo ela me interrompeu - Mas voltara, Guilherme está preparando um novo corpo para você, só que em forma de anjo. Tenho que lhe dizer, você ficara poderosa, ficara bebada de poder e a força que você terá é algo que nem Deus é capaz de tirar.