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sexta-feira, 15 de julho de 2011

58

- Eu soube o que aconteceu com a Ster. - ele comentou enquanto caminhávamos em direção a praia, eu virei meu rosto rapidamente em sua direção sentindo meu coração se apertar.
- O que houve com ela? - perguntei atropelando as palavras - Quer dizer... você sabe por que ela foi pra outro país?
Ele balançou a cabeça confirmando, minhas mãos e pernas tremiam... eu precisava saber, será que tinha acontecido alguma coisa? será que alguém tinha a machucado? tremi com essa possibilidade. 
- Não sei se isso é o que realmente aconteceu. - ele falou meio confuso e me conduzindo para a areia - Mas parece que uns dos meus irmãos está atras dela e ela percebeu. 
Meu coração falhou, meus olhos se arregalaram o medo passou pelo meu corpo fazendo-me tremer mais do o normal.
- Como aaaaassim? - perguntei quase aos prantos. - Ela não pode morrer, você não pode deixar!
Ele não respondeu e isso me deixou um pouco mais nervosa, ELE NÃO PODIA DEIXA-LA MORRER!!  Não podia, não podia... ele não podia.
- Guilherme?! - parei na sua frente fazendo - o parar, ele me olhava tristonho - por que?!
- Eu não posso... - ele falou desviando os olhos de mim, lagrimas caiam de meus olhos.. não.. se ele não podia fazer nada EU IRIA FAZER, dei as costas para ele e comecei a correr em direção a rua que voltara para minha casa, eu iria descobrir onde ele estava antes que fosse tarde demais. 
Eu corria de volta para onde viemos mas antes que pudesse me distanciar dele o bastante ele me impediu segurando meu braço e o puxando de volta para ele, fixou seus olhos nos meus e falou:
- Não vou deixar você fazer isso. - sua voz sairá grossa demais, séria demais...- não quero que você se arrisque. 
- Me deixa Guilherme! - eu gritei enquanto tentava me livrar de suas mãos - Se você não faz nada eu faço!
- Você está louca! - ele falou segurando meu outro braço - Meu irmão é bem pior que eu, se ele te encontrar e souber que estais viva ele contara pro meu pai que ira mata-la.
- To nem ai! - eu gritei novamente chorando - Só quero que minha amiga fique livre dessa maldição!
Guilherme franziu o nariz e demonstrou estar relaxando um pouco mas mesmo assim ele não soltara meu braço, ele me puxou novamente só que para um abraço e começou a fazer carinho na minha cabeça. 
 Eu nunca consegui imaginar minha vida sem minha amiga.. Ster, mas agora tudo mudara e eu não sabia em que poderia acreditar... religião e a ciência agora para mim não fazia sentido, não enquanto eu estiver apaixonada por um anjo negro cujo pai quer ver morto todas as almas puras deste mundo. Deixei que as lagrimas rolassem porque era a unica coisa que eu podia fazer... chorar. 

57

Quando se é criança você acredita que tem sempre um final feliz esperando por você, que existe um príncipe encantado por ai procurando-a para leva-la para aqueles castelos incríveis com grandes jardins e uma praia só para vocês... não é?! 
E ai você começa a crescer, suas esperanças sobre seu final feliz e seu príncipe acabam e você começa a conhecer a verdadeira realidade... a realidade de que nunca existiu final feliz, e que príncipes encantados só existem em livros de contos de fadas. 
Você se sente desolada, cada vez mais precisa de algo que te de esperança que eles existem..  esperança que um dia qualquer vai aparecer um garoto que vai te amar incondicional mente, que vai lutar por você, que vai te proteger de quem te quer te fazer mal, que vai te abraçar nas horas que mais precisa...
Então você começa a se interessar por livros fictícios no qual aquela garota se apaixona por aquele cara misterioso, aquele cara que te encanta só por olhar pra ele e então você fica cada vez mais fascinada por aquela historia, cada vez mais você deseja ser aquela garota que tem o amor daquele garoto que ao passar da historia fica cada vez mais interessante, mais forte e que apesar dos obstáculos ele conseguem ficar juntos porque o amor deles é maior que tudo e todos.

Então eu me pergunto... será que eu me encaixo nessa historia?

quarta-feira, 13 de julho de 2011

56

As palavras foram sumindo da minha mente de acordo com o passar do tempo, eu estava com medo... medo do futuro, medo do que podia acontecer com aquela cidadezinha que eu vivera por tantos anos.
Eu podia não gostar de algumas pessoas que moravam lá, eu podia ter desejado que elas sumissem da minha vida nos meus momentos de raiva e de descontrole emocional mas neste momento eu não queria nem que uma formiga morresse por causa desta Nova era que estava prestes a chegar.
- Agora é sua vez de me responder. - ele falou, virei meu rosto em sua direção e esperei por sua pergunta - Quem foi que te falou sobre isso?
Eu esperava que ele me fizesse essa pergunta, eu sabia... 
- Derick. - falei prendendo minha respiração e fechando meus olhos pronta para escutar um exporro ou qualquer tipo de xingamento mas nada disso ocorreu, abri um de meus olhos e observei Guilherme que parecia estar segurando sua raiva. 
- Ele ta aqui? - perguntou com desconfiança
- Ontem, sim... - eu respondi  - Ele foi na minha casa ontem. 
Um rosnado se formara na garganta de Guilherme e em seus olhos vi o ódio, ele não falou nada mais e então veio na minha cabeça a pergunta que não queria se calar: "de onde viera tanto ódio entre Guilherme e Derick?"
- Por que vocês se odeiam tanto? - a pergunta saiu automaticamente da minha boca e ao ver a reação do mesmo percebi que parecia estar em choque. 
- É uma longa história. - ele respondeu se levantando do meu lado e caminhando em direção ao riacho que ficava um pouco mais atrás de nos. 
- Me diga, ainda temos tempo... não é?! - falei me levantando com um pouco menos de dor e andei atrás de Guilherme. 
Ele parou, de costas para mim fechando as mãos em punho. 
Então seu rosto se virou, seus olhos pretos se encontraram com os meus e por um segundo pensei que ele pudesse me matar, minhas pernas pararam automaticamente e chegaram para trás. 
- Guilherme? - chamei-o mas ele não me respondeu e continuou lançando aqueles olhares assustadores. 
- Não vai mudar em nada... - ele falou cruzando os braços. - se você souber, isso não vai mudar o que vai acontecer daqui a alguns meses. 
Tentei recuperar o controle de minhas pernas e voltei a me aproximar dele. 
- Não estou falando disso... - retruquei - eu... só quero saber de onde veio esse ódio todo. 
Ele fechou os olhos parecendo querer recuperar sua tranquilidade de sempre, meu coração se apertou. 
- Ele tinha me perguntado - continuei - se você tinha me falado sobre ele, sobre o que ele era..
Guilherme não falou nada, apenas esperou. 
- Eu queria saber... - eu implorei - Guilherme... me fale!
Ele levou suas mãos em meu rosto e a acariciou. 
- Temos coisas importantes para nos preocuparmos do que ficar ligando para o que esse garoto diz - ele respondeu me olhando nervoso, ele estava me escondendo algo.
- Isso é importante para mim... - rebati - Eu quero saber, eu preciso ...
- CHEGA Diana! - gritou Guilherme super exaltado - Chega de saber das coisas por hoje, já te disse sobre a guerra que você tanto implorou pra que eu contasse... agora sobre meu passado com Derick está fora de cogitação!
Por que ele tava assim? por que ele ainda tentava me esconder as coisas? meu coração se apertou violentamente fazendo com que lágrimas ardessem em meus olhos. 
- O que foi? - ele perguntou ao perceber que eu chorava. - Me desculpa Diana, eu não queria ser grosso com você, eu só... quero te proteger das coisas...
Eu balancei a cabeça pondo a mão na direção do coração, Guilherme se aproximou de mim novamente e me abraçou tentando fazer com que eu não ficasse daquele jeito mas não foi por causa de suas palavras que eu ficara assim, na verdade eu não sabia o por que. 
- Eu to bem - eu gaguejei enquanto as lágrimas continuavam a cair  - não se preocupe. 
- Como não me preocupar com você - ele sussurrou em meu ouvido - eu amo você e esse sentimento é mais forte que tudo, mais forte que eu.



terça-feira, 12 de julho de 2011

55

Meus olhos se abriram lentamente mas minha visão estava completamente embaçada por isso não consegui distinguir nos primeiros segundos o rosto de Guilherme que estava ao meu lado sentado com os braços apoiados nos seus joelhos, suas asas não estavam mais ali e ele estava com uma blusa que definia os músculos de seu braço.
Tentei me levantar mas senti uma pontada de dor na minha nuca e então voltei a deitar, Gui me olhou um pouco preocupado e sorriu para mim.
- Está tudo bem. - ele me garantiu - Tive que fazer você desmaiar, por isso você deve estar sentindo uma dor na sua nuca, me desculpe mas não pude permitir que você que caísse na armadilha.
Tentei me levantar novamente para observar melhor o rosto de Guilherme mas estava cada vez mais difícil, minha nuca doía e minha cabeça pesava. Respirei fundo tentando manter a calma, ai caraca.
- Que... armadilha? - perguntei deitando de lado.
- Eu estava em forma de anjo Diana... - ele explicou - e quando fico em forma de anjo o poder de sedução que nos temos não tem limites, deixa qualquer garota... independente da idade completamente cheias de desejo e quando elas tentam .. bem... você ja sabe... o meu desejo de mata-las é maior. Quando estou em forma de anjo eu sou quem sou por dentro.. sou uma maquina feita pra matar.
Então as imagens dele em forma de anjo negro passara em minha mente, não estava com tanto desejo quanto antes, parecia que eu estava dopada ou sei la o que, mas deveria ser assim que ele matara a suas vitimas femininas, desviei meus olhos dos dele imaginando que tipo de coisas essas tais mulheres tentaram fazer com ele, meu coração doeu.
- Então... - falei piscando várias vezes tentando controlar meus ciumes - vai me dizer o que é essa guerra?
Ficamos em silencio por longos e interminaveis segundos.
- To vendo que você não vai me falar... - falei levantando-me com o maximo de força que eu depositara em meu corpo. - Então terei que falar com meus informantes.
Dei as costas para ele e andei com muita dificuldade até uma arvore mais proxima mas Guilherme fora mas rápido, quando dei por mim ele estava ao meu lado sem eu se quer sair do lugar direito, ele estava sério e eu sabia mas que ninguem que ele estava com ciumes desses tais informantes.
- Ta eu falo... - ele fez uma careta de desaprovação - Mas fiquei deitada por favor, não quero que aconteça nada com essa cabecinha linda.
Nois dois rimos e fomos para os nossos devidos lugares.
Ele ficou ao meu lado novamente e eu me pus a deitar aonde eu estava antes que eu pudesse acordar daquela  escuridão.
- Está guerra não foi exatamente ... - ele pos as mãos em seu rosto - causada por nois dois.
- Como assim? - perguntei confusa
- Essa guerra iria começar de qualquer jeito... - ele falou trocando olhares preocupantes comigo.- Nois dois só demos uma empurrada para que começasse mais 'cedo'.
Fiquei pensando naquelas palavras mas ainda não entendera o motivo dessa guerra, e quem tava lutando contra quem.
- Me explica uma coisa... - falei ficando sentada. - Que tipo de guerra é essa?
Ele respirou fundo e fechou os olhos, parecia que devia ser dificil de se dizer mas eu nao podia deixar pra la... eu queria saber mas que qualquer coisa.
- Bem não é exatamente uma guerra. - ele falou pensativo - para os humanos podemos dizer que sim, mas é apenas o começo de uma nova era como diz meu pai.
- Nova era?
- É... - ele falou - Quer dizer a exterminação completa dos seres humano desse planeta, só os fortes e os de alma ruim sobreviveram.
Engoli em seco.
- Mas esse não é o maior dos problemas. - ele falou novamente mais pensativo e mais preocupado do que o costume.
- Se esse não é o maior... - falei histerica - ENTÃO QUAL É ?
- Eu não farei parte dessa exterminação. - ele falou cauteloso. - Quem vai fazer isso vai ser meu pai. Ao vivo e a cores.

54

Paramos em um canto bem menos populoso e um pouco mais escuro para que Guilherme pudesse abrir suas asas que eram mais negras que seus olhos, aquilo era tão incrível... tão... tão hipnotizante.
Então a blusa de Guilherme ficou em pedaços deixando sua barriga sensualmente definida a amostra, eu percebi que quando ele estava com as asas para fora seu corpo ficava mais moreno, seus olhos mais negros e mais perversos... ele estava completamente sexy, ele me lembrava aqueles jovens atores pornos.
Senti a onda de calor passar pelo corpo novamente, mas estava tão forte que tive que chegar para trás e me lembrar de respirar, mas aquela onda de calor não era aquelas inofensivas que eu sempre sentira e sim pura onda de desejo por imaginar aquele corpo dentro do meu.
Meu coração acelerou.
- Calma. - ele sussurou tão perto de mim que senti a sua fragrancia . - Isso é normal, reaja... não olhe.
Eu não entendia muito bem o que ele tava falando pelo simples fato que a onda de puro desejo ter dominado qualquer ideia racional que ainda passara por minha mente.
Envolvi meus braços em torno de seu pescoço e ergui meu rosto em sua direção mordendo o canto de meus lábios, Guilherme tentara se afastar de mim mas qualquer movimento que me fizesse desgrudar dele poderia causar algum dano em meu corpo, eu escolhi bem minha posição.
Sem ele poder fazer nada, dei um salto rápido envolvendo sua cintura com minhas pernas... eu olhava com desejo, com prazer doida para que ele pudesse tirar todas aquelas peças de roupas desnecessarias.
Mas ele foi rápido, retirou me de sua cintura e me pos no sentada no chão mas isso não foi o bastante para que o desejo passasse, alias ele tinha aumentado e meu corpo pedia pelo dele, implorava... e infelizmente antes que eu pudesse fazer algo novamente ele sei la o que fez e ficou atras de mim, falou algo em meu ouvido e tudo ficou preto.
O desejo passou.

53

Voamos pelo meu bairro inteiro e minutos depois pousamos em um beco onde não iríamos chamar atenção, enquanto eu ajeitava minha roupa e minha bolsa em meu ombro o som das asas de Guilherme ficara mais baixa e por fim quando me virei elas não estavam mais la.
Senti uma leve brisa passar por mim fazendo os fios do meu cabelo irem de um lado para o outro, tentei ajeita-los mas a brisa insistia em deixa-las assim.
Charme.
Guilherme se aproximou de mim e sorriu, senti uma onda de calor na qual eu não sentira a muito tempo passar pelo meu corpo e aquecer meu coração me deixando mas confortável quando ele passou seu braço por trás de mim e segurou em minha cintura me conduzindo até o pequeno movimento de pessoas.
Até agora nada estranho ainda bem porque não queria que nada estragasse meu momento com o Gui.
- Posso te fazer uma pergunta? - olhei para seu rosto um pouco apreensiva ele se virou na minha direção e esperou. - Que história é essa que está rolando uma guerra por nossa causa?
Ele parou de repente, seu rosto ficou branco ou até mesmo ficara pálido.
Meu coração se apertou.
Então era verdade, tudo que Derick dissera para mim ontem a noite.. mas por que Guilherme não me falara? o que ele tava tentando me esconder?
- O que foi? - perguntei parando na sua frente - Guilherme o que você ta me escondendo?
Seus grandes olhos estavam fixos em algo que nem eu mesma pudera ver e alias estavam mais escuros, como se o seu alarme de perigo estivesse sido tocado.
Eu olhei para trás mas não havia nada só pessoas normais seguindo sua rotina de sempre, voltei a olhar para Guilherme novamente sua cor estava voltando lentamente.
Eles piscou algumas vezes e voltou a me olhar muito estranho o que fez meu coração se apertar violentamente.
- Quem te disse isso? - perguntou franzindo o nariz, sua mão estava fechada em punho. Tremi.
- Perguntei primeiro. - cruzei os braços e fiquei a fita-lo, seu rosto se endureceu mas logo relaxou. - Vai me responder?
- Isso não é importante. - retrucou aproximando meu rosto do dele, suas palavras sairam como sussuro.
Como aquilo não importava? era por nossa causa  que começara essa tal guerra...
- É mais importante quanto pensa. - eu falei me afastando dele, ele tentou se aproximar mas o impedi colocando minha mão em sua barriga. Ele permaneceu ali, imovel... hesitante, talvez esperando que eu esqueçesse sobre aquele assunto, mas esse era um dos assuntos que não iria sair da minha cabeça... não ate ser resolvida por nois dois.
- Por que quer tanto saber sobre isso? - ele perguntou, seu rosto estava tomado pela dor. Eu toquei em seu rosto como se quissesse consola-lo.
- Porque isso está me envolvendo tambem... - eu falei cautelosamente para que ninguem ouvisse - eu tenho direito de saber Gui, e quero saber por você e não por outros.
Ele ergueu um pouco seu rosto me olhando desconfiado.
- Que outros? - perguntou, eu senti uma pontada de ciumes na pergunta.
- Se você me falar... - eu o ameaçei - eu irei te falar quem foi ontem la em casa.
Seus olhos se arregalaram um pouco, eu sabia que eu era muito facil de se interpretar mas sobre a visita de Derick ontem eu mantinha bem guardado no fundo da minha mente.
- Você não precisa ficar com cíumes... - eu falei - Não rolou nada, alias... eu amo você.
Ele riu sarcasticamente e isso me deixou um pouco irritada.
- HAHA não estou com ciumes. - ele resmungou e logo bufou - Não tenho motivos para ter ciumes de você.
Então foi minha vez de rir.
- A conta outra Guilherme... - eu ri novamente - Você tem que ver sua cara, ta morrendo de ciumes!!
Ele riu junto comigo e me puxou para perto dele, fazendo com que nossos corpos se colassem.
- Ta bom... - admitiu com aquele sorriso lindo - Estou com cíumes, mas é porque tenho medo de perde-la e tenho que admitir que a concorrência ta ficando forte.
- Não vejo que concorrência você ta falando. - falei fazendo biquinho
Ele riu e abaixou seu rosto olhando para nossas mãos que estavam entrelaçadas uma na outra.
- Venha... - ele se desgrudou de mim e começou a me conduzir para algum lugar - Preciso te mostrar uma coisa...

segunda-feira, 11 de julho de 2011

52

Estava esperando uns 15 minutos pelo ónibus que não aparecera, o que era incomum, sempre esse horário qualquer um dos ónibus que eu pegara estaria passando mesmo cheio.
Peguei meu celular que estava no bolso da minha calça e dei uma olhada 7:20, estava quase na hora de bater o primeiro sinal, eu não estava com tanta pressa assim mas eu não gostava de chegar atrasada, dei uma olhada para a rua.
Deserta. Sem movimento. Nada.
Eu estava ficando meio que desesperada pois se algo acontecesse comigo ninguém taria ali para me ajudar, tremi dos pés a cabeça esperando pelo pior e pelo melhor também é claro, imagina... não quero que nada de mal aconteça comigo.
Abracei -me e encolhi no banco que havia ali no ponto, eu estava com muito medo óbvio... minha rua sempre fora movimentada e agora parecia mais cidade assombrada que nem aqueles filmes de faroeste. Tentei não me esquecer de respirar ao escutar o som dos pneus do ónibus se aproximando, meu coração se acelerou e por fim eu sorri grata por algum ter aparecido.
Mas eu estava completamente enganada.... aquele ónibus não iria parar... ele estava em alta velocidade e sem motorista o que me assustou mais.. mas o pior não foi isso, o pior era que ele vinha em alta velocidade na minha direção.
Eu não sabia o que fazer, ocorreu tudo rápido demais a única coisa que eu me lembrara foi do ónibus tão perto de mim e que antes que ele se colidisse comigo fui brutalmente puxada para cima.
Vi aquela imagem do ónibus descontrolado batendo no ponto e fazendo aquele barulho estrondoso o que fez meu corpo tremer, mas o estranho foi que eu estava vendo o ónibus por cima... segurei firmemente minha bolsa e olhei para o rosto do meu salvador.
Meu coração pulou e automaticamente sorri.
- Tudo bem? - Guilherme perguntou preocupado, eu balancei a cabeça abobada... meu coração tava a mil mas havia algo diferenciando ele das outras  vezes que eu vira.
Primeiro estávamos voando e ao olhar para frente eu vira um grande par de asas negras porém muito hipnotizantes surgindo das costas de Guilherme, eu abri um pouco meus lábios pronta para comentar sobre isso mas as palavras não queriam sair da minha garganta.
Segundo ele estava sem camisa porém sua pele estava mais morena do que antes, duvido que teve tempo de ir pra praia pegar um bronze.
Terceiro seus cabelos estavam um pouco menores e seus olhos estavam muito mais escuros e perversos, me fazendo ficar um pouco com medo.
Quarto e ultimo... ele estava diferente mas mesmo assim eu sentia no modo que ele me abraçava e me segurava para eu não cair. Ele me amava... mas do que nunca.
- Onde esteve? - perguntei enquanto eu via que nos afastávamos do local e subíamos um pouco em direção ao céu.
- Meu pai anda meio desconfiado com sua morte. - ele fez uma careta - Ando criando falsas provas que você está morta, só pra mante-lo ocupado para que não venha te fazer uma visita.
- Quanto tempo mais você vai ficar fazendo isso? - perguntei admirando o modo de como suas asas batiam.
- Hoje poderei ficar com você, meu pai acha que eu vou visitar as gêmeas do inferno. - ele riu e balançou a cabeça ao ver a minha reação - Ele acha que elas são ótimas candidatas para eu me envolver, mas nunca me dei bem com elas... são tao frescas como água, nojentas como uma lesma e lerdas como uma tartaruga.
Eu desviei meus olhos dos dele e fiquei imaginando como seriam... sera que eram bonitas? sera que eram magras?! será que eram tão perversas quanto o pai de Guilherme?!
Fiquei meio depressiva porque o pai de Guilherme nunca iria nos deixar namorar, nunca!
E se ele imaginasse que eu estaria viva ele mesmo viria me mataria ao vivo e a cores.
Tremi com essa possibilidade.